A movimentação de cargas não-convencionais exige planejamento minucioso e eficiência dos serviços logÃÂsticos
A idéia de criar uma empresa do setor logístico que fosse capaz de atender a demanda de importações de cargas especiais nasceu a partir da entrada da China no cenário internacional, conforme informou o empresário Adalcir Ribeiro Lopes.
De acordo com ele, desde que o gigante chinês acordou, a partir do início desta década, e passou a oferecer serviços e produtos para o mercado internacional, o ocidente foi obrigado a aprender a lidar com uma concorrência agressiva, que trabalha com preços bem abaixo dos praticados e com prazos reduzidos.
“Em média, o custo de fabricação de produtos industriais na China representa um terço do valor que será gasto para executar o mesmo projeto no Brasil”, comentou Lopes.
Diante dessa realidade, grandes empresas do Brasil e de Minas Gerais, passaram a encomendar bens de capital da China, como altos-fornos, tanques de armazenamento e, até mesmo, toda uma planta industrial. “Os projetos são desenvolvidos aqui e levados para a China, que passa a fabricar as peças e enviam para serem montadas no Brasil”, explicou.
Porém, o transporte desses materiais não pode ser realizado sem um detalhamento prévio das condições dos equipamentos logísticos no país de destino, segundo Lopes. “É aí que entra a logística integrada. Há casos em que o planejamento inicia até um ano antes da chegada da carga no local de destino”, disse.
Planejamento
Conforme o empresário, os projetos de transporte desses artigos especiais exigem um planejamento minucioso, que vai desde o embarque no porto de origem até a instalação dos materiais. “Temos que pensar em tudo. Normalmente, controlamos as cargas desde a entrada nos navios. Essa medida permitirá que, durante o desembarque, elas possam ser retiradas de uma maneira que permita a movimentação das cargas nos portos”, comentou.
Fora o contato com os portos, as empresas que trabalham com o transporte especial também têm que prever qual será o trajeto das cargas, antecipando autorizações para o trânsito nas estradas, a contratação de batedores, interdição de pontes, viadutos e, até mesmo, de grandes avenidas, caso o percurso exija a passagem por uma grande cidade.
O planejamento nas operações de transporte de cargas especiais é fundamental porque analisará qual será a me-
lhor rota a ser utilizada até o local de destino. “Em algumas ocasiões, uma carga só poderá chegar por um determinado porto e só poderá ser transportada por algumas estradas”, observou.
Além do serviço de transportes especiais, as empresas que trabalham com a logística integrada precisam se preocupar com os trâmites de desembaraço das cargas, praticando a melhor economia tributária para os clientes, na opinião de Lopes.
Despachantes
“Quando uma mercadoria chega no porto, toda a documentação que permite a entrada da carga no país precisa estar pronta e à disposição. O nosso trabalho está diretamente ligado aos serviços dos despachantes aduaneiros, que têm a função de possibilitar a liberação das cargas com os menores custos tributários e o mais rápido possível, uma vez que as despesas de armazenagem nestes casos também são em larga escala”, afirmou.
De acordo com ele, os principais setores que têm contratado serviços de transportes especiais no Estado são mi-neração, siderurgia, celulose, ferroviário, entre outros. 